Tudo o que acontece nessa vida tem um grande motivo escondido. Se o sol, ao
fim do dia, não fosse embora, a lua não teria lugar no céu. Da mesma forma, o
inverno abandona os dias e leva embora os ventos gelados para que a primavera
entre com suas flores e amores. A lagarta se dispõe à metamorfose à fim de
voar. Os olhos se fecham, dando espaço ao sono. Muitas vezes, perdemos a vista
da janela e alguns momentos durante o tempo que ficamos de olhos cerrados
mas, se não o fizermos, não daremos descanso ao corpo e nem sonhos à mente. Às
vezes as portas se trancam para que as janelas sejam abertas. Não adianta o
desespero e nem o medo do escuro, já que nem todo breu é eterno. É necessário
acabar a luz para que se acendam as velas. O mar precisa regressar para que
haja tsunami. E assim é a vida, feita de altos e baixos. Idas e vindas.
Precisamos, assim como a natureza, chover. Chover muito. Só assim, as sementes
poderão brotar. E, assim como a lagarta, abandonar o chão para ganhar asas.
Nessa jornada, dar um passo à frente significa deixar algo para trás. No
entanto, não há outra forma de caminhar. Não existem sorrisos sem sacrifícios,
assim como não existem bons jardins se algumas árvores não forem podadas. Nem
poemas se os poetas não sofressem. Os frutos e os grandes livros são resultados
de cortes nos galhos e nos corações, respectivamente. É necessário aprender que
toda lâmpada um dia se apaga para que vejamos melhor a luz do sol.
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